quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Divinamente Lua

Uma novela que me marcou profundamente e a milhares de brasileiros, acredito, foi a novela Pantanal. Uma novela muito diferente de todas que já tinha visto, tanto do ponto de vista da linguagem, da paisagem, da estória, da atuação dos atores e da velocidade. Era uma novela calma e ao mesmo tempo agitada, por conta da trama densa e emocional. O cinegrafista se prendia nas inigualáveis paisagens do pantanal, sem pressa. Sem pressa de mostrar a flor de uma planta aquática. Sem pressa de mostrar um deslumbrante amanhecer ou uma lua cheia.
Os personagens tinham uma profundidade e singeleza ímpar. Uma moça órfã que tinha que lutar pela sobrevivência. Campo e cidade se apaixonando. Com suas ambiguidades e seus temores. Campo e cidade mostrando suas diferenças e semelhanças. As lendas e mistérios do Pantanal e o amor em seu sentido rústico e natural. Uma novela ecológica.
Nessa novela havia uma linda trilha sonora. Dentre as músicas, essa de Caetano Veloso e Orlando Moraes era uma poesia, tão bela:


Divinamente Nua, A Lua


Divinamente nua, a lua
Tritura a sombra na treliça
E a hóstia sobre o sexo atua
Quando o desejo morre de preguiça
Prisioneiro sem bíblia, livre
No peito tentações, pudores
Sonhos de amores, leitos
Livres, leitos
Divindades e dragões
Mar feroz que vem dormir na minha cama
Sangrar na minha vida tão confusa
Queria ter o sol e tenho a lua
E a escuridão
Ainda assim abusa

Composição: Orlando Morais e Caetano Veloso
***
JU 

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